🗓️ 23 de Setembro de 2025
✍️ Radar Político AP
📍 Macapá | Alianças políticas | Exportações amapaenses
Decisões políticas de curto prazo cobram caro: estado sente os efeitos de apoiar quem hoje prejudica seus principais produtos.
Durante os anos do governo Bolsonaro, o senador Lucas Barreto (PSD-AP) protagonizou um episódio que hoje soa como um exemplo claro de má escolha política. Em um gesto que ganhou as páginas de veículos como Estadão e Exame, Barreto recebeu em sua residência figuras do alto escalão do bolsonarismo, entre elas os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, em um jantar que tinha um propósito explícito: articular apoio no Senado para transformar Eduardo em embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
O senador não apenas ofereceu sua casa, como também se envolveu diretamente na recepção, preparando um peixe filhote com leite de coco, uma iguaria típica da Amazônia, para agradar os convidados. À época, o gesto foi interpretado como sinal de alinhamento ao projeto de poder da família Bolsonaro e um esforço para garantir proximidade com o núcleo mais influente do Planalto.
Hoje, com a distância do tempo e dos fatos, o episódio ganha outra leitura. Eduardo Bolsonaro, que não chegou a ocupar o cargo de embaixador, vive atualmente nos Estados Unidos em meio a investigações no Brasil e imerso em polêmicas. Pior: suas ações recentes no exterior têm contribuído para desgastar a imagem de produtos brasileiros, com impacto direto sobre setores exportadores, inclusive os do Amapá. Itens como o peixe amazônico e o açaí, fundamentais para a economia local, estão entre os atingidos por campanhas e articulações associadas ao ex-deputado.
O caso expõe um problema recorrente na política brasileira: alianças feitas com base em conveniência imediata, sem considerar as consequências a médio e longo prazo. O que parecia uma estratégia para ganhar prestígio se revelou um tiro no pé, com efeitos danosos à economia de um estado que já enfrenta desafios estruturais graves.
No fim das contas, o prato servido com hospitalidade virou um símbolo involuntário do retrocesso. O mesmo peixe que naquele jantar foi preparado para selar uma aliança política, hoje representa os prejuízos que essa decisão trouxe para o próprio Amapá.
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