Artigo de opinião – João Gomes
Vivemos um período histórico às avessas, em que cobrar deveres, exigir direitos, apoiar os órgãos de controle e a Polícia Federal virou “errado”.
Cobrar transparência nos gastos públicos da PMM é considerado errado, mesmo sendo um direito do cidadão e uma obrigação legal prevista na Lei Complementar nº 131/2009 (Lei da Transparência).
Cobrar melhorias na malha viária é errado, apesar de Macapá estar tomada por buracos de ponta a ponta. A imprensa, os motoristas e a sociedade que exigem manutenção e asfaltamento incomodam.
Cobrar medicamentos nas UBS é errado, ainda que o Ministério Público já tenha atuado para buscar solução.
Cobrar solução para o lixo é errado, mesmo diante do retrocesso do retorno do lixão e da precariedade da coleta domiciliar e hospitalar, situação inédita na cidade.
Apoiar a Polícia Federal é certo… mas só quando não envolve a PMM. Quando as operações são no HE, no DNIT ou no INSS, tudo bem. Mas quando o alvo é o Prefeito de Macapá, alvo de três operações, a PF passa a ser “perseguidora”.
Cobrar concurso público é errado, mesmo com a gestão entrando no quinto ano sem edital. Até Laranjal do Jari, com apenas oito meses de administração, já está realizando concurso para a saúde.
Essa gente precisa entender uma coisa simples: fiscalizar, cobrar e informar não é falar mal. É um exercício de cidadania, princípio inscrito na Constituição de 1988 e fundamento da República Federativa do Brasil.
(João Gomes)
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