📅 28 de maio de 2025
✍️ Radar Político AP
📍 Macapá | Omissão política | Direitos das mulheres
Omissão vergonhosa: representantes do Amapá se calam diante dos ataques misóginos à ministra Marina Silva em audiência no Senado
Na última terça-feira (27), o Brasil testemunhou um episódio revoltante no Senado Federal. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi interrompida, desrespeitada e ofendida durante uma audiência pública — um claro caso de violência política de gênero e desprezo institucional. O que agravou ainda mais a situação foi o silêncio de figuras que, por representatividade e posição política, tinham a obrigação moral de reagir — entre elas, o senador Lucas Barreto, a deputada federal Sílvia Waiãpi e a secretária de Assistência Social e primeira-dama de Macapá, Rayssa Furlan.
Lucas Barreto, presente na comissão, assistiu calado à cena degradante. Não esboçou defesa, não reagiu à grosseria, não se solidarizou com Marina — mulher, negra, símbolo da luta ambiental brasileira. Sua omissão é inaceitável. Representar o Amapá exige coragem, e naquele momento ele preferiu o conforto da covardia.
Sílvia Waiãpi, que tanto se apresenta como defensora das mulheres e dos povos indígenas, também permaneceu muda. Nenhum gesto, nenhuma fala, nenhuma linha de apoio. Que tipo de representatividade é essa que se ausenta quando uma mulher da floresta é atacada por defender o Brasil que protege a natureza?
Rayssa Furlan, médica, primeira-dama da capital Macapá e figura pública que já disputou o Senado com mais de 170 mil votos, tampouco se manifestou. Atuando diretamente com políticas sociais no município, sua ausência nesse debate é gritante. Uma mulher pública com tamanha projeção deveria ser uma voz ativa contra a misoginia e a violência política. Mas escolheu o silêncio — e em política, o silêncio também é uma escolha política.
Enquanto Marina Silva se levantou e deixou o plenário em um ato de dignidade, quem deveria defendê-la permaneceu sentado, calado e confortável. O povo do Amapá, que tem em sua história a luta ambiental e social, merecia outra postura de seus representantes.
No jogo político, há momentos que definem o verdadeiro caráter das lideranças. E este episódio foi um deles. Lucas Barreto, Sílvia Waiãpi e Rayssa Furlan escolheram o lado errado da história — o lado da omissão.
Deixe uma resposta