Furlan é acusado de transformar estrutura da Prefeitura de Macapá em palanque eleitoral para alavancar sua pré-campanha ao Governo do Amapá

📅 07 de Agosto de 2025
✍️ Radar Político AP
📍 Macapá | Prefeitura de Macapá | Denúncia

Macapá enfrenta mais uma polêmica que coloca a gestão do prefeito Dr. Furlan sob suspeita de desrespeito às regras eleitorais e uso da máquina pública para fins pessoais. Nos últimos dias, a população se deparou com uma enxurrada de materiais publicitários pagos com dinheiro público, exibindo o slogan “Quem já fez, vai fazer muito mais!” — frase que, segundo especialistas, parece ter sido pensada como peça de campanha antecipada.

O material está espalhado por redes sociais oficiais da Prefeitura, outdoors e anúncios institucionais, sempre destacando a figura do prefeito como protagonista e sugerindo que ele tem uma missão de continuar “fazendo mais” no futuro. Para a oposição, trata-se de um esforço coordenado para criar uma narrativa eleitoral disfarçada de propaganda institucional.

“É inacreditável que, enquanto escolas têm obras abandonadas e a saúde pública está sucateada, o prefeito priorize gastar recursos do contribuinte em publicidade com cara de campanha. Isso é desrespeito com a população”, criticou um vereador de oposição.

Especialistas apontam possível violação à Constituição

Juristas consultados afirmam que o slogan pode ferir o princípio da impessoalidade previsto no Artigo 37 da Constituição Federal, que obriga qualquer publicidade oficial a ser exclusivamente informativa, educativa ou de orientação social — sem promover autoridades. Para esses especialistas, a frase escolhida soa mais como uma promessa de continuidade pessoal no poder do que como divulgação de políticas públicas.

Além disso, o uso ostensivo de verbos como “fiz” e “vou fazer” em primeira e terceira pessoa sugere um apelo direto ao eleitor, em tom típico de peça eleitoral, o que pode levantar questionamentos sobre legalidade e moralidade administrativa.

Acusações de propaganda eleitoral disfarçada

O caso também gerou indignação entre lideranças políticas locais, que prometem acionar o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá para apurar se há desvio de finalidade no uso de verbas públicas. Segundo críticos, a estratégia parece desenhada para dar vantagem ao prefeito na disputa pelo Governo do Estado, já que ele é pré-candidato.

Oposicionistas afirmam que a situação é ainda mais grave porque a propaganda tem sido veiculada antes do período permitido pela legislação eleitoral, o que poderia, em tese, configurar propaganda antecipada, cabendo aos órgãos competentes investigar e decidir.

Enquanto isso, serviços básicos sofrem

Para muitos moradores, causa indignação ver investimentos tão altos em publicidade institucional no momento em que faltam insumos em postos de saúde e ruas permanecem cheias de buracos. Para eles, fica claro que a prioridade da gestão não é atender as demandas mais urgentes da população.

“É mais fácil ver propaganda com slogan de campanha do que ver obra concluída”, reclamou um morador da zona norte.

Prefeitura mantém silêncio

Procurada, a Prefeitura de Macapá não respondeu até a publicação desta matéria. O silêncio, para a oposição, evidencia que a gestão prefere não prestar contas sobre o uso de recursos públicos.

Para juristas e críticos, o episódio reforça a percepção de que a máquina administrativa municipal pode estar sendo convertida em trampolim eleitoral. Se as suspeitas se confirmarem, o caso poderá ter desdobramentos judiciais e comprometer o futuro político do prefeito

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